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[Sexta-feira, Outubro 17, 2008]

Pode ser que hoje eu termine a procura dentro de mim.

Pode ser que eu me ignore, ou então que me perca, pode ser que eu me encerre, ou me desfaça assim. Pode ser que hoje eu não me veja refletida, pode ser que eu queira, pode ser que eu escute. Eu posso até escutar, mas prefiro ficar surda.

O meu som é triste, pode ser que eu queira chorar. Pode ser que eu queira não me olhem chorando: se me olharem podem ver, se me vêem, não quero. Quero umas duas caixas bem fechadas e lacradas. Numa ponho meus olhos, em outra o meu coração. Se houver uma terceira, ponho a boca. Então jamais me descubrirão.




por Dani * 10:28 AM


[Terça-feira, Junho 24, 2008]

Qual o teu objetivo?
A tua música não diz nada, a tua palavra não presta, nem o teu coração contrido. Tua boca é muda. Muda, muda, muda. Não fazes diferença no mundo. Nenhum pontinho de diferença. O que tens constuído é a tua própria ruina. O teu silêncio. Teu silêncio é tua ruína.

por Dani * 7:48 PM


[Quinta-feira, Maio 29, 2008]

Não vês, Nise, este vento desabrido,
Que arranca os duros troncos? Não vês. esta,
Que vem cobrindo o Céu, sombra funesta,
Entre o horror de um relâmpago incendido?

Não vês a cada instante o ar partido
Dessas linhas de fogo? Tudo cresta,
Tudo consome, tudo arrasa e infesta
O raio a cada instante despedido.

Ah! não temas o estrago que ameaça
A tormenta fatal, que o Céu destina.
Vejas mais feia, mais cruel desgraça;

Rasga o meu peito, já que és tão ferina;
Verás a tempestade, que em mim passa;
Conhecerás, então, o que é ruína.

(Cláudio Manuel da Costa)


por Dani * 4:02 PM


[Domingo, Março 30, 2008]

Nem sempre eu fui assim.
Não, nem sempre.

Eu já fui mais baixa e mais magra, meu coração já foi menor. Eu já fui um grão, uma célula microscópica. Eu já fui sereia e já fui capitão. Já fui conto de fada e borboleta.

Eu já fui até um nada, quando eu deitava de noite e chorava no chão. Derramava um pouco de mim e me sentia invisível. Mas no dia seguinte eu aparecia de novo. E era tudo igual e diferente. O sol do céu me queimava e queimava sempre o coração.

Eu me lembro de uma vez, uma roda gigante, um alguém que foi embora de mim. Foi triste. Mas daí veio outro dia. E outro. E outro. E o tempo sempre foi uma benção e também uma maldição. Nesse caso ele foi benção.

Me lembro de uma infância. Coisa boa, coisa ruim. Me lembro de machucado, de tartaruga, do meu pai com cabelo curto. Me lembro da minha mãe e de uma melancolia. Me lembro de manga espalhada no chão e espalhada também no rosto, nas bochechas, na camisa e nas mãos.

Eu já fui e não fui um mundo de coisas. Mas dizer quem sou eu, não posso. Não dá.
Eu olho pra dentro e tento tirar conclusão. Dái percebo que é pretensão minha. Porque dentro de mim tem muito mais dúvida do que resposta. Uma bagunça de criança pequena. Muitos e muitos caminhos. Pedacinhos. Um nó. Alguma coisa de mim.

Um dia me encontro.

por Dani * 11:21 PM


[Terça-feira, Janeiro 22, 2008]

as vezes penso que vou morrer da minha tristeza.
mas antes definhar e ainda sentir-me fraco
antes acabar, e murchar até ser fiapo.

no silêncio de mim mesmo ainda há um gesto
um gesto de atenção, um quê de carinho
meu coração que inda bate devagarinho

e é nesse carinho que eu me seguro
e tento, me esforço mas não me curo
não me livro dessa mão que me aperta.

dessa mão que me aperta, me aperta
me sufoca, me espreme, me assusta
e que me faz chorar num desespero

e soluçar, e cair, e me acabar
e me morrer, me matar de tristeza.

por Dani * 10:51 PM


[Segunda-feira, Janeiro 14, 2008]

eu preciso andar. andar, caminhar pra longe. além do que os pés podem caminhar. além do que os olhos podem ver. além da luz. além da última pedra, do último espinho.

eu preciso me deixar... me deixar ir, me deixar partir. preciso resistir, me ver partir e deixar, e permitir.

eu preciso limpar os olhos, enxergar melhor. limpar toda essa sujeira, toda essa lama que me faz ver tudo errado.

eu preciso, algumas vezes, preciso girar, e brincar de balanço. preciso soltar meu coração. preciso deixar ele bater mais forte e mandar sangue pra todo o meu corpo.

precido dançar até cair, rir até doer, escutar até sumir, sentir, sentir, amar até onde puder.

cair, cair, cair. e esquecer do medo. deixar ele ir, sair do meu coração. cair e cair cair até o chão.

até um chão feito de espuma. o chão que eu quiser que seja. o chão que eu inventar. o que eu quiser sentir. como eu quiser ver. respirar, o jeito que eu vou viver.

por Dani * 9:32 PM


[Quarta-feira, Dezembro 26, 2007]

e eu tbm nem sei se devo apagar isso tudo...

não sei, não sei de nada.

por Dani * 3:14 AM


desculpa por toda essa confusão.

por Dani * 3:13 AM


e peço desculpas a Deus, por escrever isso. porque ele me abençoa tanto e eu reclamo.

por Dani * 3:13 AM


me sinto incrivelmente sozinha, e isso não faz o menor sentido.

mas começo a achar que nada de fato faz sentido em mim.

por Dani * 3:10 AM


[Quarta-feira, Dezembro 19, 2007]

I parte



era verão e eu voltava.

voltava para aquele colo macio, aquele cafuné delicado, aqueles olhos de luz. voltava pros dias de festa, dias de rolar na grama, de contar segredos, de segurar nas mãos e amar em silêncio. olhar novamente pra aquele lugar me trouxe uma lembrança calorosa. uma lembrança de amor.

não a procurei de início, queria observar e fazer surpresa. queria ganhar um abraço gigante, e ver aquela expressão no seu rosto... ah, era tão linda! e quando me via abria um sorriso que me preenchia completamente. nesse momento era como se eu não precisasse de mais nada, nem de água, nem ar, nem casa, nem alimento. só daquele sorriso...

ah, quanta saudade!


bati na porta de minha tia, ela me recebeu com festa, preparou banquete! me deu um abraço de mãe. entrei, olhei com carinho para a minha antiga casa, olhei com carinho para minha tia. ela estava igualzinha, isso me fez contente. um raio de sol aqueceu meu peito. eu estava de volta.

por Dani * 4:08 PM


[Terça-feira, Dezembro 18, 2007]

I
a palavra que o vento emudece
ecoa pra dentro da memória
lembro-me vagamente das luzes
e da grande roda gigante
a caneta passeava no papel
rabiscava poesia triste
saudade constante.

II
a pior parte do caminho
foi te perder de vista
me debater de cólera
me embriagar de vinho

e sem que ninguém entendesse
eu morria.


Daniela

por Dani * 11:40 PM


[Quarta-feira, Novembro 28, 2007]

que horror,

não consigo escrever o que me existe.

por Dani * 9:25 PM


e se alguém batesse na minha porta, a essa hora da noite?

e se me perguntasse o que sonho, o que penso e quem sou?

e se eu lhe dissesse que não sei responder?

e se me olhasse espantado? e se por mim sentisse pena?

e se eu o olhasse e esperasse que ele pudesse me responder?

e se ele inventasse uma longa história pra me convencer?

e se realmente soubesse as coisas me responder?

e se ele pudesse me preencher?

e se eu o beijasse no canto de uma idéia?

e depois no canto da boca?

e se eu o amasse?

e se ele correspondesse?

e se contivesse a minha felicidade?

e se ele fosse a parte que falta em mim?

por Dani * 9:24 PM


[Sexta-feira, Novembro 16, 2007]

veneno.
esté é outro nome para o ócio.

por Dani * 4:55 PM